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#Destaques | 01/12/2016

Temer leva país a fundo do poço e mídia é cúmplice, aponta economista Laura Cardoso

Professora Laura Carvalho, do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo.

 

 

“Há uma completa falta de perspectiva de saída do fundo do poço”, afirmou ontem (29) a professora Laura Carvalho, do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo. O debate organizado pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé teve ainda os professores de Economia Luiz Gonzaga Belluzzo e Eduardo Fagnani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O tom dos palestrantes foi de crítica contundente à agenda do presidente Michel Temer (PMDB), por provocar a redução de direitos e ampliar privilégios de setores específicos da sociedade.

 

 

Segundo Laura, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 traz “desesperança” ao país. “O grande problema da PEC é que ela não distingue o que é direito e o que é privilégio”, afirma, lembrando que a proposta corta investimentos em áreas como saúde e educação, mas mantém o orçamento flexível para o aumento de salários da classe política, por exemplo.

 

 

 

Os meios de comunicação também foram lembrados como propagadores do cenário preocupante desde o momento em que criaram um discurso de que os investidores passariam a apostar no Brasil após a queda da Dilma. Entretanto, a economia vem mostrando sinais consecutivos de enfraquecimento após o impeachment, com agravamento da crise.

 

 

 

Para Laura, ao contrário do que foi bordado pela imprensa, a crise não foi originada de nenhuma “gastança” e o corte gastos e investimentos limita qualquer chance de retomada. “Primeiro, porque o Estado está longe de estar quebrado (…) Se o Estado for encarado como esse grande monstro que alguns pintam, fazemos coro com esse tipo de histeria, que inviabiliza a retomada. E não há experiências no mundo onde o setor privado retoma a economia em um cenário de recessão”, observou a professora.

 

 

Professores de Economia Luiz Gonzaga Belluzzo

 

 

Belluzzo concorda. “Da forma com é tratada a palavra ‘austeridade’, por exemplo, parece impossível se posicionar contra. Assistir aos comentaristas de economia da TV é um exercício de masoquismo, quase um autossacrifício”, ironizou. As contradições do governo Temer, no entanto, não são questionadas pela mídia, assinala ele. “O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, chegou a dizer que apesar de os indicadores estarem em queda, a indústria estaria em franca recuperação. E um comentarista diz que a crise insiste em não ir embora, como se fosse um hóspede incômodo.”

 

 

 

A ausência de debate qualificado, para o economista, prejudica uma leitura correta da realidade pela opinião pública. “Sem diversidade de opiniões e ideias, onde prevalece um discurso homogêneo, fica fácil uma visão única fazer sentido. As pessoas não entendem, apenas repetem. Não porque não são inteligentes, mas porque a informação que chega a ela tem essa natureza”, disse.

 

 

 

A agenda Temer de austeridade, para Eduardo Fagnani, representa a radicalização do projeto liberal no Brasil, o desmonte completo do Estado, com a “criminalização” dos gastos públicos. “Esse projeto é antigo e não passa pelo crivo popular. O gasto social cresce junto com a democracia. Tanto a experiência nacional quanto a internacional mostram que o gasto social está longe de ser o ponto fora da curva”, disse, lembrando do processo de impeachment que afastou Dilma: “A consequência do golpe na economia é levar a uma extrema reforma do Estado passando por cima do voto e da democracia”.

 

 

Com informações de Felipe Bianchi, no Barão de Itararé

 

 

Fonte: Rede Brasil Atual (RBA)

Fontes:

Publicado em: 01/12/2016

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