Escrito por

#Destaques | 15/07/2019

Em audiência pública na Assembleia Legislativa, CUT-RS denuncia violência policial na greve geral

Claudir-na-AL

A CUT-RS denunciou a absurda e descabida violência da Brigada Militar (BM) contra trabalhadores e estudantes em Porto Alegre na greve geral de 14 de junho contra a reforma da Previdência, durante audiência pública “Vítimas da violência na greve geral – visibilidade às ocorrências e garantia dos direitos humanos de cidadãos e policiais” promovida na quarta-feira (10) pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, na Sala de Convergência. Houve também abusos contra manifestantes em São Leopoldo, Viamão e Alvorada, dentre outras cidades, que foram relatados aos deputados.

 

 

A reunião foi requerida pelo deputado estadual Jeferson Fernandes (PT) e acompanhada pelas deputadas Sofia Cavedon (PT) e Luciana Genro (PSOL).

 

 

Violência-na-greve-geral-2-588x1024

 

Caçada após dispersão de piquetes

 

 

“As forças de segurança pública atuaram fora da lei”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, alertando para a tentativa de criminalização dos movimentos sociais. Ele repudiou a ação violenta da tropa de choque da BM, que jogou centenas de bombas de gás lacrimogêneo em trabalhadores e estudantes, que se encontravam na madrugada em frente às garagens de ônibus, deixando vários feridos.

 

xChoque-da-BM.jpg.pagespeed.ic.DSuzAUh5T3

 

 

Nespolo citou a violência ocorrida diante da Carris e da Sudeste, onde os policiais não se limitaram a dispersar os piquetes, mas soldados a cavalo e com espadas na mão saíram atrás de trabalhadores e estudantes, que tiveram que correr pelas ruas próximas. “Parecia uma caçada”, protestou. Várias mulheres ficaram feridas, após terem sido atingidas por cassetetes.

 

 

Na Avenida Bento Gonçalves, eles foram ainda perseguidos por uma caminhão que lançava jatos de água, o que não tinha ocorrido na capital gaúcha “nem na ditadura militar”. Felizmente, segundo o dirigente sindical, os manifestantes conseguiram entrar no campus da PUCRS, através do portão do estacionamento, encontrando abrigo até o amanhecer e evitando uma possível tragédia.

 

 

Prisão arbitrária de 52 estudantes

 

 

Na Avenida Cavalhada, nas imediações da garagem da VTC, após outra ação violenta da BM, ocorreu a prisão de 52 estudantes e até o advogado que acompanhava os movimentos sociais recebeu voz de prisão.

 

 

O presidente da CUT-RS lamentou que, na véspera da paralisação, ele e outros dirigentes de centrais sindicais estiveram reunidos com o vice-governador Ranulfo Vieira e outras autoridades policiais do Estado, tratando justamente da segurança pública na greve geral. “Fomos desrespeitados e tratados como se fossemos criminosos, quando estávamos no exercício do direito de manifestação, garantido pela Constituição Federal”, explicou.

 

xMulher-na-greve-geral-1024x576.jpg.pagespeed.ic.sGpk53UEfR

 

 

Em Viamão, a tropa de choque também manteve ostensivo acompanhamento pelas ruas em que os manifestantes se deslocaram.

 

 

Em São Leopoldo, ao final de um ato pacífico, os policiais atiraram bombas de gás, deixando igualmente vários feridos.

 

 

Mais violência policial em Alvorada

 

 

Após a exibição de um vídeo feito na madrugada, que mostra a movimentação em frente à garagem da empresa de ônibus Soul, trabalhadores e estudantes contaram detalhes da ação violenta da BM.

 

 

Eles disseram que se distanciavam da garagem, quando os policiais passaram a jogar bombas de gás e spray de pimenta para dispersá-los. Os depoimentos indicam que o ferimento do olho do policial não poderia ter sido provocado por uma pedrada e apontaram para possível estilhaço das granadas e bombas de gás, inclusive uma delas teria caído no interior da garagem.

 

 

Segundo os manifestantes, o ato violento foi promovido pelos policiais, que jogaram as bombas e no vídeo é possível identificar o momento em que o policial supostamente ferido sai da fileira e entra no prédio da empresa de ônibus, conforme flagrante que o manifestante aprisionado lá dentro também presenciou.

 

 

O advogado Elias Cabreira, de Alvorada, que também conversou com o comandante da BM, Mario Ikeda, relatou que este se refere à violência do ferimento do policial supostamente atingido no olho, dizendo que “teria sofrido um impacto tão grande que alguma coisa penetrou no globo ocular e machucou a parte interna”, e demonstrando que “algo foi arremessado com muita força”. O militar atribuiu o feito a um dos militantes, o que o advogado refutou.

 

 

“Para tal violência, a pessoa deveria estar muito perto”, observou Cabreira, pois naquele momento todos tinham recuado em direção ao posto de gasolina. Esses detalhes constam da representação encaminhada à Justiça, onde também está registrada a versão dada pelo comando da BM que, de início, comunicou à imprensa o ferimento do soldado, dizendo que o objeto não havia sido identificado e, mais tarde, em nova versão, passa a acusar os manifestantes. Assim como os outros depoentes, também o advogado chamou a atenção para os excessos que os policiais têm praticado em Alvorada.

 

Audiência-na-ALRS

 

 

O relato de manifestantes indicam o abuso praticado pelos policiais, como o encarceramento nas dependências da Soul, a perseguição de moto por policial, com ferimentos graves, e a utilização de “arma medieval”, uma espécie de relho com uma bola de concreto na ponta.

 

 

A deputada Luciana Genro acompanhou o episódio como advogada e parlamentar. Ela destacou que “é preciso investigação para identificar o culpado, seja quem for”. Ela já esteve em audiência com o comandante da BM para esclarecer essa acusação. “Temos a convicção de que esse ato de violência não partiu dos manifestantes”. Nesse encontro, o comandante solicitou a formalização da denúncia.

 

 

Tanto o policial supostamente ferido no episódio, as entidades representastivas e o comando da BM foram convidados a participar, mas não compareceram à audiência pública.

 

xDeputados-na-AL.jpg.pagespeed.ic.rNMieIZtpU

 

 

Funcionários afastados na Trensurb

 

 

Outro caso abordado foi o afastamento de seis funcionários da Trensurb, acusados de “sabotagem” porque foram surpreendidos caminhando pela linha do trem. Conforme explicou o presidente do Sindicato dos Metroviários de Porto Alegre (Sindimetrô), Luis Henrique Chagas, a greve geral tinha especial importância para mobilizar a população a respeito dos malefícios da reforma da Previdência e contra a ameaça de privatização da empresa.

 

 

Por essas razões, o Sindicato decidiu utilizar táticas que preservassem a segurança dos metroviários e demais trabalhadores. Mesmo assim, os seis acusados foram incriminados e afastados sem qualquer abertura de processo interno. “A empresa atuou como juíz, condenando e punindo, sem dar direito a ampla defesa aos colegas”, disse Chagas.

 

xChagas.jpg.pagespeed.ic.XiZw_iJ1L_

 

 

Dossiê e protocolo para garantir manifestações

 

 

O deputado Jeferson Fernandes propôs que o grupo de trabalho com os gabinetes das deputadas Luciana Genro e Sofia Cavedon irá finalizar o dossiê a ser encaminhado ao governador Eduardo Leite, ao Ministério Público Estadual, à Defensoria Pública Estadual, ao Ministério Público Federal e à Defensoria Pública Federal, assim como à Justiça Militar e ao Tribunal de Justiça.

 

xJefersona-na-AL-2.jpg.pagespeed.ic.gj0VyrxxWD

 

 

O parlamentar defendeu que, a exemplo da desocupação do Lanceiros Negros, que resultou num novo protocolo a ser cumprido pelos brigadianos nessas ocasiões, é preciso formular um protocolo específico para as manifestações.

 

 

A deputada Sofia Cavedon disse que o direito de greve está sendo ameaçado e, por isso, é preciso dar um entendimento diferente “para preservar a democracia”.

 

 

Outro encaminhamento será a solicitação à Soul das imagens das câmeras internas daquele dia e os laudos médicos do atendimento ao policial. Também à Trensurb será requerida manifestação a respeito dos procedimentos adotados em relação aos funcionários punidos.

 

 

Houve também relatos de Haroldo Brito, da CTB; Pablo Mesquita, da UGEIRM/Sindicato, e Paulo Ferreira, da Federação dos Comerciários.

 

 

Fonte: CUT-RS com Sindimetrô-RS e Assembleia Legislativa

Fontes:

Publicado em: 15/07/2019

Voltar