População deve redobrar medidas de higiene e proteção frente à abertura

Contraditoriamente, na mesma semana em que o Brasil ultrapassou a marca de 1,5 milhão de infectados pelo novo coronavírus, governos de diversas unidades da federação relaxaram ainda mais os cuidados com o distanciamento social. Em cerca de vinte dias, os registros de brasileiros que contraíram a covid-19 subiram mais de meio milhão.

 

Mais de 1,5 milhão de brasileiros já foram infectados pela covid-19

 

Enquanto isso, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), anunciou reabertura total das atividades até o mês de agosto. Ele disse que o poder público local agora vai tratar a pandemia “como uma gripe”.

 

No estado de São Paulo, o chefe do executivo local, João Doria (PSDB), incluiu academias de ginástica e eventos na chamada fase amarela da reabertura. Dessa forma, essas atividades poderão ser retomadas mais cedo do que o previsto inicialmente.

 

Na cidade do Rio de Janeiro, capital do estado que tem a taxa de letalidade mais alta do país, imagens de bares e restaurantes lotados, principalmente na Zona Sul, revoltaram quem ainda se propõe a ficar em casa. No primeiro dia de liberação desse tipo de comércio, os registros em vídeo divulgados nas redes sociais mostravam aglomerações de pessoas sem máscara e até piadas sobre a pandemia.

 

O exemplo dessas regiões, dá o tom de todos os planos de abertura em implementação no país. Dos mais radicais, como é o caso do Distrito Federal, aos que ainda colocam em prática algum tipo de restrição, não há nenhum caso em que a decisão foi tomada por causa da diminuição de casos. A pandemia ainda está sem controle em todo o território nacional.

 

O que pode acontecer aos brasileiros sem o isolamento social?

 

Em conversa com o boletim A Covid-19 na Semana, o Médico de Família, Aristóteles Cardona, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, afirma que a postura do poder público indica descaso, principalmente com a população mais pobre.

 

“A sensação é de que a gente caminha em uma sala escura com várias armadilhas e que a qualquer momento será pego por algumas delas. Eu tenho impressão que ao longo do tempo, mesmo bons governantes, bons prefeitos, foram cedendo, tamanha a pressão por parte de alguns setores da economia. Já tem pesquisas mostrando que quem morre mais, quem sofre mais os impactos é a população mais pobre.”

 

Segundo uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde e realizada pela Universidade Federal de Pelotas, a população de baixa renda corre o dobro de risco de contrair a covid-19 no Brasil. O estudo consultou quase 90 mil pessoas e realizou testes para identificar quantas já foram infectadas, mesmo que não tenham desenvolvidos sintomas. As projeções do levantamento indicam que os números reais da pandemia podem ser até seis vezes maires que os registros oficiais.

 

O vírus que tirou a máscara da desigualdade social

 

Na onda dos processos de abertura, a possibilidade de isolamento social é uma realidade cada vez mais distante para boa parte da população. Com empresas, comércios e indústrias retomando as atividades, quem trabalha precisa se adaptar. Aristóteles Cardona, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares ressalta que é o momento de redobrar os cuidados.

 

“A gente vai continuar brigando para que todo mundo possa ter essa possibilidade de ficar em casa. Mas quando não tem, dobra a necessidade de a gente reforçar os cuidados: o uso correto de máscara, ficar em casa sempre que puder. Se tiver que ir para locais que têm aglomeração, procurar horários menos frequentados. Quanto maior a concentração de pessoas, maior a circulação potencial de vírus.”

 

Como lidar com as incertezas da saída da quarentena em meio à pandemia?

 

Ainda de acordo com o médico, por mais simples que pareçam, as medidas de higiene têm papel fundamental na prevenção. “São cuidados essenciais. Todos eles junto da limpeza das mãos. A gente fala muito do álcool em gel, ele é importante e tem sua função, mas não tem nada melhor que água e sabão. Isso ajuda a se cuidar um pouco mais.”

 

“Não é o momento de flexibilizar de maneira nenhuma”, diz pesquisadora da Unicamp

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), somente na última semana de junho foram registrados mais de 160 mil novos casos por dia. A soma de infectados desde o início da pandemia está acima de 11 milhões. O total de mortos ultrapassa 520 mil. Junto com a testagem em massa, o distanciamento social é a medida mais eficaz no controle da doença, de acordo com autoridades de saúde do mundo todo.

 

OMS diz que pandemia do novo coronavírus ainda está longe de acabar

 

Na quarta-feira (1), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um apelo às nações que estão afrouxando o isolamento: “Os países devem abolir as medidas mais abrangentes”. Nas palavras dele a pandemia é “um teste de caráter” no que diz respeito à solidariedade global e interesse de toda a humanidade.”

 

Fonte: Brasil de Fato

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