“O nosso Sindicato é de luta, não se esconde, vai pra rua lutar pelo direito dos trabalhadores”, afirma metalúrgico

O Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita conversou, nesta semana, com o Tesoureiro do Sindicato e Secretário de Administração da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul (FTMRS) Flavio de Souza. Em pleno mês de Campanha Salarial, Souza abordou como andam as negociações e como elas funcionam. Confira o vídeo e, abaixo, a entrevista na íntegra:

 

 

 

 

STIMMMEC: Maio é o mês de data-base da Campanha Salarial em Canoas e Nova Santa Rita. Como estão as negociações?

 

 

FS: Aos metalúrgicos e metalúrgicas de Canoas e Nova Santa Rita, estamos dando início à nossa Campanha Salarial 2018 com um grande debate junto à nossa categoria ao longo dos últimos dias. O mês de maio é o nosso mês de data-base e logo em seguida a gente vai estar iniciando as negociações aqui em Canoas. Já enviamos a pauta para o Sindicato Patronal.

 

 

É um ano bastante difícil, nós estamos com a perspectiva de uma inflação de 1.69% e precisamos recuperar o nosso salário, além de manter as cláusulas sociais, a sustentação financeira do sindicato e também fazer uma discussão com os metalúrgicos e metalúrgicas para que a gente consiga um aumento real dos nossos salários para que possamos sobreviver até maio do ano que vem.

 

 

A política que as empresas têm tentado nos últimos tempos aqui na nossa categoria, na nossa região, é de conceder aumento de salário só na data-base, na negociação. Então a gente precisa, mais do que nunca, com toda crise que a gente está vivendo em nosso país, a crise política, as reformas trabalhistas e também agora com a discussão da reforma Previdenciária que foi suspensa momentaneamente. Cada vez mais os trabalhadores precisam se valorizar e valorizar a sua mão de obra porque nós, ao final, acabamos vendendo a nossa mão de obra para as empresas e a hora de colocar preço na nossa mão de obra é quando a gente discute o nosso acordo coletivo.

 

 

Nosso acordo coletivo é o momento mais importante da nossa categoria, além dos outros específicos que a gente faz ao longo do ano, mas neste momento é quando a gente senta frente a frente com o Sindicato Patronal – que representa as indústrias e metalúrgicas aqui de Canoas e Nova Santa Rita – e podemos colocar preço no nosso salário, colocar preço na valorização da nossa mão de obra. Aqui em Canoas é uma mão de obra muito qualificada e, portanto, esse é o momento em que os metalúrgicos e metalúrgicas têm que fazer uma bela discussão com o Sindicato, estar junto com o Sindicato, para que a gente possa, lá na mesa de negociação com o Sindicato Patronal, fazer um bom acordo.

 

 

STIMMMEC: O que está sendo feito no atual momento?

 

 

FS: Neste momento, os metalúrgicos e metalúrgicas estão se preparando, já têm algumas mobilizações nas fábricas, fizemos algumas assembleias aqui, e ao longo dos próximos dias estaremos visitando empresa por empresa em Canoas, trazendo o boletim da nossa categoria. Tem saído quase semanalmente com todas as informações possíveis que a gente vem abordando nesse período em relação às reformas e ao que está acontecendo na nossa categoria a nível de estado e de Brasil. E também para nossos metalúrgicos(as) estarem informados e preparados para fazer esse debate, essa discussão, junto com o Sindicato e o Sindicato Patronal aqui de Canoas para a gente ter êxito na nossa campanha salarial.

 

 

O ano de 2018 é importante, eleitoral, apesar de tudo que está acontecendo nesse país, vivendo uma inflação que não é real. Não é possível que não se possa trabalhar o ano todo e pegue 1.60 e poucos porcentos de recuperação do nosso salário, que foi o divulgado pelo governo, que é o nosso INPC (índice que a gente discute o reajuste do salário).

 

 

Nós estamos passando por um momento muito difícil, logo após uma reforma que muitas empresas estão implementando e que, para os trabalhadores, foi muito ruim. O governo só viu o lado dos empresários e eles estão aproveitando essa reforma para enfraquecer o nosso sindicato, os sindicatos e o movimento sindical, dizendo que é a vez deles colocarem goela abaixo dos trabalhadores.

 

 

Por isso, a nossa Federação dos Metalúrgicos que abrange 29 sindicatos aqui do estado, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o nosso Sindicato de Canoas e Nova Santa Rita (STIMMMEC) vêm fazendo um grande embate para que mantenhamos e avancemos nas nossas cláusulas. Também, que a gente consiga um bom reajuste do nosso salário e que possamos, além de tudo, sobreviver até maio do ano que vem. Porque é só em maio do ano que vem que a gente vai sentar de novo com esse sindicato patronal para poder botar preço na nossa mão-de-obra de novo.

 

 

Então vamos nos preparar, Campanha Salarial 2018 é muito importante. Contamos com o apoio de todos os metalúrgicos e metalúrgicas aqui de Canoas e Nova Santa Rita para que a gente tenha êxito não só aqui, mas no estado também, nas três ou quatro mesas que a nossa federação negocia. Também estamos vindo de uma plenária que fechou a discussão de quais vão ser os pontos que a gente vai trabalhar na nossa Campanha Salarial, as negociações já começam a partir do dia 20.

 

 

Como funcionam as mesas de negociação?

 

 

Alguns sindicatos, como o nosso aqui de Canoas e Nova Santa Rita, tem o Sindicato Patronal aqui no município de Canoas que representa os patrões dos dois municípios. O Sindicato de Canoas negocia direto com o Sindicato Patronal, como outros sindicatos como São Leopoldo, Novo Hamburgo, São Sebastião do Caí, Santa Rosa, então lá se negocia direto com o sindicato do município.

 

 

O restante das negociações do nosso estado são feitas através da Federação. A nossa Federação, que representa todos os sindicatos que são filiados, têm algumas mesas de negociação que são estaduais, como o setor de máquinas agrícolas. O setor de máquinas agrícolas negocia, estadualmente, lá no Sindicato das Máquinas Agrícolas (SIMERS). A gente negocia por todos os metalúrgicos ligados ao setor de máquinas agrícolas. A nossa Federação elege uma comissão, que são os maiores sindicatos de máquinas agrícolas, junto com a Federação e já a partir do dia 20 iremos iniciar as negociações.

 

 

Tem a negociação também da metalurgia do estado do Rio Grande do Sul, que é Porto Alegre e todos os sindicatos, como falei anteriormente, que não tem sindicato patronal no seu município. Então negocia Sindicato de Porto Alegre, que é o maior do estado, junto com os sindicatos que não têm representação patronal no seu município. É uma mesa única e ali eles sentam e discutem um acordo coletivo para os metalúrgicos de Porto Alegre e o interior do estado em uma negociação só.

 

 

Tem também o setor de reparação de veículos, que é uma negociação única com o Sindicato Patronal da Reparação de Veículos. A Federação tira uma comissão que tem representação em vários municípios do estado e que negocia estadualmente e fecha um acordo só para todo o estado do setor de reparação de veículos. Estas são as mesas, como falei, algumas são individuais e outras são negociadas pela Federação.

 

 

Qual é a importância da Campanha Salarial e das ações do Sindicato?

 

 

A grande maioria das campanhas salariais dos maiores eixos (SP e MG) ocorre no segundo semestre, mas aqui no RS nossa data-base é maio, alguns sindicatos têm a data-base em junho. É importante, neste momento, todos os metalúrgicos e metalúrgicas, não só do município e de Santa Rita, mas todo estado, estar trabalhando muito forte na campanha  salarial, fazendo as assembleias em porta de fábrica. O mais importante este ano é conversar com os trabalhadores, estar na porta das fábricas discutindo a nossa campanha salarial e também uma coisa importante, que é a sustentação financeira dos nossos sindicatos.

 

 

A sustentação financeira dos sindicatos é importantíssima porque são estes sindicatos, essas entidades, que representam os trabalhadores na mesa de negociação. Foi feita uma eleição aqui no Sindicato, foi eleito pelos metalúrgicos e metalúrgicas uma direção e essa direção é quem vai negociar em nome dos trabalhadores. É ela que tem a legitimidade de negociar. Com a reforma Trabalhista, aprovada em novembro, várias medidas enfraquecem a classe trabalhadora com as negociações diretas e várias perdas.

 

 

Outra coisa é nosso acordo coletivo: não é à toa que tínhamos mais de 50 cláusulas a mais além da CLT para ter garantias aos metalúrgicos e metalúrgicas aqui de Canoas e Nova Santa Rita. Por isso a importância das nossas cláusulas sociais. Se a gente for pensar só na inflação, 1.60 e poucos, com certeza vai ser centavos do nosso salário, mas nossas cláusulas sociais valem muito mais do que dinheiro porque lá está garantida uma série de coisas que empresários não gostariam que tivéssemos.

 

 

Tudo que acontece aqui na nossa categoria em Canoas e Nova Santa Rita, o Sindicato está presente, como no que aconteceu na AGCO esta semana, na GE estávamos reunidos, na Maxiforja estávamos reunidos, qualquer uma das empresas nossas aqui da categoria. Se for tentar mexer nos direitos dos trabalhadores, o nosso Sindicato estará presente porque o nosso Sindicato é um sindicato de luta, um sindicato que não se esconde, um sindicato que vai pra rua lutar pelo direito dos trabalhadores. Pra isso a gente foi eleito, pra isso a categoria depositou o voto e elegeu essa direção. O nosso compromisso, não só na campanha salarial agora que está se avizinhando e começando com os debates, mas todo ano.

 

Fonte: STIMMMEC

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