#NaMídia: Os desafios nas relações profissionais e liderança são avaliados por Paulo Chitolina

 

Na edição do dia 12 de agosto deste ano do Diário de Canoas, foi publicada uma entrevista com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, Paulo Chitolina. Leia o conteúdo na íntegra abaixo.

 

LIDERANÇA DOS TRABALHADORES

 

Aproximadamente oito mil trabalhadores tem como representante o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindimetal) de Canoas e Nova Santa Rita, Paulo Chitolina. Este número já foi bem maior, como lembra Chitolina, e superou 14 mil entre 2008 e 2012. Dos 59 anos do Sindimetal no Município, há quase 29 ele integra a direção e há três mandatos preside o sindicato.

 

 

Para liderar, Chitolina destaca a importância do companheirismo e confiança nas decisões de quem está no comando. “A liderança depende sempre do coletivo, não é algo que se conquista no individualismo”, salienta. Para chegar a este resultado, ele frisa a necessidade de saber ouvir opiniões, mesmo as contrárias, para estabelecer o diálogo.

 

ATIVIDADES SINDICAIS

 

Natural de Tuparendi, o presidente do sindicato mudou-se aos 12 anos para Canoas e começou a trabalhar com 15 como empacotador de supermercado. Com a mesma idade resolveu ingressar na indústria, como operador de máquina. Trinta e seis anos depois ele segue trabalhando no setor, conciliando com as atividades sindicais. Chitolina fala sobre liderança, desafios dos trabalhadores e conta um pouco sobre a sua trajetória nesta edição.

 

Diário de Canoas – Qual foi a tua motivação para entrar no sindicalismo?

 

Paulo Chitolina – Por um período eu participei da Pastoral da Juventude, que promove encontros e discussões políticas e de formação com jovens. Eu frequentei os encontros da Igreja Santo Inácio, em Esteio. Neste momento, comecei a despertar para as questões sociais, como a desigualdade e a precarização da vida das pessoas. Depois que entrei para a indústria, questões trabalhistas
como os baixos salários, as horas de jornada e as condições de trabalho de maneira geral me incomodavam. O Sindicato de Canoas já era referência na base e, quando recebi o convite do companheiro Marco Maia, que também trabalhava na mesma empresa que eu na época, aceitei.

 

DC – O que avalias que precisa mudar nas relações de trabalho?

 

Chitolina – Acredito que nos últimos anos muitas coisas tenham melhorado nas relações trabalhistas, justamente pelas mediações do sindicato em nossa base. Devido à atuação dos diretores, conseguimos resolver conflitos entre trabalhadores e as empresas, construir uma boa Convenção Coletiva de Trabalho, com mais de 60 cláusulas que beneficiam amplamente a categoria, e conquistamos
boas negociações de PLR, com a ajuda das comissões, em muitas empresas. No entanto, no que diz respeito aos
direitos trabalhistas, e não somente à relação entre trabalhador e empresa, tivemos um retrocesso enorme com a entrada da Reforma Trabalhista. Ocorreu aqui um momento de grave precarização dos direitos, que fragilizou demais os trabalhadores.

 

DC – Que momento foi difícil na tua vida e como conseguiste superá-lo?

 

Chitolina – Acredito que quando o meu pai voltou para o interior e eu resolvi ficar em Esteio com meus irmãos. Eu ainda era menor de idade e senti muita responsabilidade pesando. Depois de um período fui morar sozinho. Trabalhava durante o dia e estudava à noite, no SENAI, onde me formei torneiro mecânico.

 

DC – Qual foi a decisão mais difícil que precisaste tomar?

 

Chitolina – À frente do sindicato, como presidente, tive que tomar muitas decisões difíceis. Mas acho que sempre que temos que lidar com o fechamento de uma empresa na base, liderar e organizar os trabalhadores é uma tarefa desafiadora. Como exemplo, eu tenho o fechamento de uma empresa da cidade. Tivemos que lacrar os portões da empresa e garantir a penhora do patrimônio junto à
justiça, para conseguir pagar as verbas rescisórias dos 150 trabalhadores que atuavam lá. A empresa estava preparada para não pagar ninguém. E com o nosso trabalho, com decisões e ações rápidas, garantimos que isso não ocorresse.

 

DC – Como percebes que o teu trabalho contribui para a vida das pessoas?

 

Chitolina – De maneira geral, o trabalho sindical é bastante voltado à questão dos direitos trabalhistas e das condições de trabalho dentro das empresas, no caso, dos metalúrgicos. Estes pontos são muitos importantes para os trabalhadores, mas a nossa atuação não se restringe a isso. Por exemplo, em 1997 a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) criou o Instituto Integrar, que dava
formação escolar para as pessoas. No Rio Grande do Sul, os metalúrgicos abraçaram o programa e, em parcerias com a prefeitura, com o governo do Estado e com a Petrobras, além de várias universidades, deram formação. Em nossa base, muitos trabalhadores conseguiram fazer ou terminar os estudos primários e secundários por conta do Integrar, que tinha um núcleo no nosso sindicato. Era
uma época em que muitos tinham a formação profissional, mas não tinham escolaridade. As empresas cobravam isso nas vagas, como ainda cobram. Então, o trabalho e a contribuição do sindicato vai além da defesa de direitos de uma categoria. A gente tenta contribuir na formação, no bem-estar e na garantia de uma vida digna às pessoas. Essa sempre foi nossa luta.

 

DC – O que é liderança para ti?

 

Chitolina – Liderança está muito ligada ao companheirismo e à confiança que a gente consegue construir com as pessoas. Porque só se consegue liderar com a ajuda dos demais, sabendo que as pessoas te escutam e confiam nas tuas decisões. Sabendo que estas pessoas vão difundir as tuas ideias e te ajudar a executá-las. A gente tem que ser transparente e honesto para conseguir isso, porque se não for, a liderança pode se tornar uma espécie de autoritarismo. A liderança depende sempre do coletivo, não é algo que se conquista no individualismo.

 

DC – Pode compartilhar uma dica que inspira a tua vida e pode inspirar outras pessoas?

 

Chitolina – Ter paciência. Mudei muito quando comecei a valorizar conselhos que diziam isso, que eu deveria ter paciência.

 

PAPO RÁPIDO

Trabalho

 

“Preservar as boas relações trabalhistas passa por garantir a dignidade dos trabalhadores. E isso só vem com uma jornada justa de trabalho, com bons ganhos salariais e garantias. Frente ao retrocesso imposto pelo governo, precisamos novamente retomar essas questões.”

 

Habilidades do líder

 

“Saber ouvir as opiniões, mesmo quando diferentes, e deliberar tarefas. Organização e diálogo com o grupo são pontos essenciais.”

 

Reforma

“As inconstitucionalidades dessa nova lei ainda são discutidas, porque o ataque aos princípios constitucionais ficou evidente. Foram anos de lutas e conquistas que o governo resolveu descartar. E, como sindicato, nossa luta é não somente pela preservação dos direitos que foram atacados, mas também pela permanência da dignidade dos trabalhadores.”

 

Sindicato

 

“Entrei na direção do sindicato de Canoas em setembro de 1990. Em 1993 ocorreu um racha na direção e foi quando montamos uma oposição liderada pelo falecido Freitas e composta pelos companheiros Maria Eunice (hoje vereadora do Município), Nelsinho Metalúrgico (exdeputado Estadual), Marco Maia (ex-deputado federal). Ganhamos a eleição por uma diferença de 127 votos. Nas
gestões, fui tesoureiro e assumi a presidência em setembro de 2011. Estou no 3º mandato a frente do sindicato.”

 

Fonte: Tamires Souza – Diário de Canoas

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