Mulheres são as mais afetadas com desemprego na pandemia

As mais prejudicadas com a perda do trabalho durante a pandemia são as mulheres tanto no Brasil como nos demais países. Globalmente, as perdas de emprego das mulheres situam-se nos 5% contra 3,9% dos homens, aponta relatório “Monitor OIT: Covid-19 e o mundo do trabalho”, da Organização Mundial do Trabalho.

 

 

No Brasil, a situação é uma das piores do mundo. Com o fim do auxílio emergencial de R$600 (R$1.200 para mães solo) e sem nenhum outro projeto de benefício social do governo Bolsonaro que reponha as perdas financeiras, cada vez mais mulheres deixam a força de trabalho.

 

 

Segundo o último dado disponível da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Domicílios), do IBGE, 8,5 milhões de mulheres deixaram a força de trabalho no terceiro trimestre de 2020, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

 

“Há uma cultura no mercado de trabalho de priorizar a demissão de mulheres. Demite-se porque ela engravida, porque cuida do filho, do pai, da mãe, da vó, do vô. Então essa luta é permanente. Durante a pandemia, estreitou mais essa situação, perdemos muitos postos de trabalho e muitas estão desalentadas sem perspectiva e sem o auxílio emergencial”, frisou a integrante do Coletivo das Metalúrgicas do ABC e CSE na Samot, Maria do Amparo Travassos Ramos.

 

 

A dirigente lembra que é preciso travar uma luta incessante contra o patriarcado e investir com afinco na conscientização das novas gerações. “Nós já nascemos tendo que lutar contra o patriarcado, essa cultura machista que existe nas famílias e na sociedade como um todo. Podemos mudar isso educando nossas filhas e filhos e investindo na formação e conscientização dessa nova geração. Precisamos ocupar os espaços de poder e mostrar isso. Como dirigentes sindicais devemos lutar por uma cláusula de ampliação de contratação de mulheres, já que somos nós que fazemos a economia girar”.

 

 

A CSE na Apis Delta e também integrante do Coletivo, Cláudia Alexandra Rodrigues, lembrou das trabalhadoras informais que viram sua renda diminuir na pandemia e também das mães que tiveram que deixar seu emprego para ficar em casa com os filhos.

 

 

“Muitas trabalhadoras informais que vendem produtos na rua, de porta em porta, e assim sustentavam a casa estão passando severas dificuldades. A situação também se complicou para aquelas que, apesar de precisarem do salário, tiveram que deixar seus empregos para cuidar dos filhos que estão em casa. A condição poderia não estar tão difícil se houvesse o mínimo de responsabilidade por parte do governo Bolsonaro que brinca com a vida da população”.

 

 

Fora da força de trabalho

 

 

No primeiro trimestre de 2020, antes dos efeitos da pandemia na economia, aumentou em 11,2 milhões o número de pessoas de fora da força de trabalho. Deste total, sete milhões eram mulheres. A participação feminina, com 14 anos ou mais, no mercado de trabalho ficou em 45,8%, uma queda de 14% em relação a 2019.

 

 

O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também tem resultados desanimadores. Enquanto no ano passado 230,2 mil vagas criadas foram ocupadas por homens, as mulheres perderam 87,6 mil postos.

 

Fonte: Metalúrgicos do ABC (com informações da CUT)

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