Maxiforja: resistência contra a Reforma Trabalhista em dia nacional de mobilização

Convocado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) o Dia Nacional de Mobilizações ocorre nesta quinta-feira (14), com a realização de atos, assembleias e paralisações em várias localidades do país. Em Canoas, o Sindicato esteve em frente à metalúrgica Maxiforja para conversar com os trabalhadores sobre a conjuntura política e a necessidade de se criar unidade e resistência junto às entidades sindicais.  IMG_2988

 

A assembleia, que contou com a participação do presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, teve início pouco depois das 7h. Além da Reforma Trabalhista, os dirigentes relataram problemas internos da fábrica, como a crescente em casos de doenças relacionadas ao trabalho, as promoções de cargos por influência e não competência, o plano de saúde e a falta de segurança no estacionamento da fábrica. “A empresa está crescendo graças ao trabalhado dos trabalhadores e trabalhadoras daqui. É justo que cobremos reconhecimento e assistência”, afirmou o dirigente Gilmar Kenne.

Na construção de resistência junto à categoria, o vice-presidente do Sindicato, Silvio Bica, alertou para o enfrentamento que dirigentes e trabalhadores terão que fazer dentro das fábricas assim que a Lei 13.467/17 entrar em vigor, no dia 11 de novembro. “Quando o patrão chamar na salinha para uma conversa de acordo direto, vocês dirão que não tem nada para ser negociado assim, porque o Sindicato é o único representante da classe trabalhadora”.

 

Flavio de Souza, tesoureiro do Sindicato e representante da Federação dos Metalúrgicos do RS (FTMRS), criticou a posição dos patrões da base de Canoas e Nova Santa Rita, que apostaram no discurso favorável à reforma e colaboraram com sua aprovação, distribuindo informativos pelos murais das empresas. “Nosso sindicato teve que fazer um jornal especial esclarecendo e desmentindo o informativo da patronal”, afirmou o dirigente. “Eles afirmaram que mentíamos quando falamos em fim das férias e do FGTS, por exemplo, mas a verdade é que agora as férias de vocês serão fracionadas em três vezes e, sem carteira de trabalho assinada, não tem FGTS pra ninguém”.IMG_2841

 

Outro ponto abordado, desta vez pelo presidente da CUT-RS, foi a constante manipulação dos meios de comunicação hegemônicos do país. “Todo dia a rede Globo chega no jantar de vocês, distorcendo os fatos e manipulando informações”, afirmou Nespolo. “Mas a realidade do Brasil é esta, que estamos falando e vivendo aqui hoje”.

Também em relação à Reforma Trabalhista, Claudir lembrou os trabalhadores que até o ano de 2014, a CLT não era um problema para os empresários. “Quando o país vivia o pleno emprego, as leis trabalhistas não eram um problema e os empresários até tinham dificuldades em encontrar mão de obra, colocavam até caminhões de som nos bairros anunciando vagas”, lembrou. “Agora, vamos deixar para a próxima geração um ambiente lixo de empregos”.

 

Dentre os retrocessos que atingem diretamente a classe trabalhadora e a vida das famílias em todo o país, Nespolo relembrou a Reforma do Ensino Médio, que mascara uma imensa precarização do ensino público para os jovens, e a atual luta contra a Reforma da Previdência, que segundo ele, deveria ser discutida sobre a ótica da alíquota e não de aumento de tempo de contribuição e idade.

No fechamento da assembleia, próximo às 9h, o presidente dos metalúrgicos da base, Paulo Chitolina, reforçou os pontos abordados pelos companheiros e destacou as manobras utilizadas pelo empresariado para assegurar o lucro, ainda que com um discurso de crise. “A Maxiforja, em 2016, demitiu mais de 100 trabalhadores e contratou em média o mesmo número. No entanto, o lucro da empresa estimado com esta rotatividade foi de 2 milhões de reais”, afirmou Chitolina baseando-se em um estudo apresentado pelo Dieese.

 

Reforçando a emergência de uma unidade sindical, o presidente alertou que a nova lei “tira a relação coletiva dos trabalhadores, representados pelo sindicato, e passa a ser individual e direta com a empresa”. “Por isso, nós estamos aqui, e estamos fazendo um amplo trabalho para fortalecer o coletivo, a união e, consequentemente, os direitos da classe trabalhadora”.

 

Fonte: STIMMMECIMG_2970

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