Fábrica: Novo ano e novos problemas na AGCO

 

2019 mal começou e centenas de trabalhadores e trabalhadoras da fábrica de equipamentos agrícolas, a AGCO, enfrentam graves problemas decorrentes da Reforma Trabalhista. Desde novembro de 2017, mês em que a nova legislação entrou em vigor, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é amplamente flexibilizada, gerando inúmeras consequências negativas no mercado de trabalho. No intuito de alertar os funcionários(as) presentes e cobrar as devidas satisfações dos responsáveis, o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita realizou uma assembleia em frente à empresa na última sexta-feira (25).

 

O primeiro relato apresentado foi de Silvio Bica, vice-presidente do Sindicato, que falou sobre a mudança no horário de saída dos funcionários(as). Até o fim de 2018, todos podiam sair de seu local de trabalho de forma tranquila e, 10 minutos antes do horário final do ponto para retornar às suas casas, tomar banho e/ou trocar de roupa no vestiário. Porém, com a ampliação da jornada de trabalho, o horário do encerramento da produção foi alterado, retirando os minutos de antecipação. Junto a isso, ocorreram mudanças no local de trabalho dos metalúrgicos, ampliando a distância entre as máquinas e o vestiário. Outra fato levantado foi a redução dos chuveiros, que de 104 passaram a ser apenas 64, o que acaba gerando correria entre os trabalhadores e trabalhadoras. “Isso afeta inclusive a saída dos funcionários do setor administrativo, pois estes acabam esperando dentro dos ônibus e se atrasam para seus compromissos depois de uma jornada árdua de trabalho”, afirmou Bica.

 

 

A segunda denúncia da assembleia refere-se à listagem de assinaturas coletadas por alguns supervisores da AGCO, que impõem aos trabalhadores(as) o pagamento pela participação de seus dependentes no plano de saúde. De modo nenhum esta ação é bem vista aos olhos dos dirigentes, uma vez que nenhuma modificação, seja ela qual for, deve ser realizada sem consultar a entidade de defesa dos afetados. “Nós não queremos que eles venham direto ao chão de fábrica com imposições, fazendo com que o trabalhador desarmado assine uma lista na marra, debaixo do nariz de um gerente, de um supervisor”, disse o vice-presidente do Sindicato.

 

No mesmo dia em que a listagem começou a circular na fábrica, 24 de janeiro, os dirigentes protocolaram um pedido de uma reunião com os diretores da empresa para debater o plano de saúde, visto que não há possibilidade dessa cobrança ocorrer com o baixo salário que a categoria recebe. A crítica também coube à ineficiência do atendimento da Unimed, que fechou diversos prontos atendimentos no estado e cada vez mais aumenta o valor dos seus serviços. Bica lembrou que na última campanha salarial, a categoria conquistou pouco mais que a reposição da inflação nos salário. Considerando isso, a cobrança de dependentes no plano de saúde é injusta visto que a empresa não prioriza a valorização dos salários.

 

 

André Battistello, integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (a CIPA), acusou a falta de respeito que os diretores da AGCO têm com os seus empregados. Em sua participação na assembleia, ele denunciou a insuficiente estrutura oferecida nos vestiários perante a grande quantidade de pessoas que os utilizam, a interdição do relógio no setor administrativo e o descaso com os trabalhadores que consequentemente devem se deslocar até outro pavilhão sem cometer atrasos. “Daqui pra frente, se não estivermos unidos, eles vão colocar uma corda nos nossos pescoços e viraremos escravos. É hora de nos juntarmos e denunciar qualquer irregularidade aos dirigentes e aos cipeiros”, concluiu Battistello.

 

 

O presidente do Sindicato, Paulo Chitolina, esclareceu um boato que circulou na última semana dentro da fábrica. No momento em que o responsável pelo setor de Recursos Humanos começou a explicar a situação do plano de saúde, não houve a capacidade de dizer que se trata de uma atitude da empresa e acabou espalhando que o trato já estava acordado com o Sindicato. “Jamais assinaremos um documento sem haver a concordância dos trabalhadores de qualquer empresa da nossa categoria. Não houve qualquer comunicado sobre as alterações, nem sobre a listagem que iriam impor aos trabalhadores”, revelou Chitolina.

 

 

Por fim, também foram abordadas consequências da Reforma Trabalhista, evidentes no dia a dia dentro das empresas. Segundo Chitolina, a direção da AGCO procurou o Sindicato, em julho do ano passado, para informar a contratação de mais de cinquenta companheiros temporários. No entanto, o número de contratados passou para mais de cem pessoas. Este alto índice de trabalhos temporários na atividade fim não existia antes da Reforma e chama a atenção porque tem como único objetivo o lucro dos diretores, que estão livres para demitir seus empregados e contratar temporariamente outros com salários até 40% menores e com menos direitos.

 

Textos e fotos: Matheus Leandro – STIMMMEC

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