Em debate curto e sem Bolsonaro, presidenciáveis trazem pauta das mulheres para o centro da discussão

 

Com pouco mais de 1h30 de duração, SBT, Uol e Folha de S.Paulo realizaram, no fim da tarde desta quarta-feira (26), o debate mais dinâmico da corrida presidencial até agora. Dividido em três blocos e com a participação de oito candidatos, teve alguns momentos de embate acalorados, especialmente envolvendo os candidatos Alvaro Dias (Pode) e Fernando Haddad (PT), mas também teve como um dos temas mais citados a pauta das mulheres, com chamamentos para a participação, no próximo dia 29, das manifestações contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), que não compareceu por ainda estar se recuperando do ataque a faca que sofreu no dia 6 de setembro. O debate teve três blocos, sendo dois de perguntas diretas entre os candidatos e um com perguntas elaboradas por jornalistas dos veículos de imprensa organizadores.

 

A temática das mulheres veio à tona principalmente por meio de Marina Silva (Rede), Guilherme Boulos (Psol) e Cabo Daciolo (Patriota). Em diversos momentos, incluindo nas considerações finais, Marina disse que iria se referir diretamente às mulheres, lembrou que era a única mulher entre os oito candidatos presentes, e prometeu adotar políticas públicas, especialmente para aquelas que são chefes de seus lares.

 

Já Boulos trouxe o tema quando questionou Daciolo no terceiro bloco. O bombeiro prometeu que, em seu governo, as mulheres serão valorizadas e irão compor 50% dos ministérios — promessa que também havia sido feito por Ciro Gomes em pergunta anterior — e aproveitou a oportunidade para dizer que amava sua mãe e sua esposa, que estavam na plateia. Na réplica, Boulos fez um chamamento para a participação da população nas manifestações de mulheres organizadas para o próximo dia 29 contra Jair Bolsonaro. Na tréplica, o candidato do Patriota disse que a não valorização das mulheres era uma das causas da falta de desenvolvimento do Brasil. Mesmo não estando presente, Bolsonaro também apareceu como alvo de críticas em outros momentos, especialmente de Geraldo Alckmin, que o chamou de “candidato da insensatez” e da “discriminação”.

 

Fogo contra fogo

 

O primeiro embate acalorado veio logo na primeira pergunta do primeiro bloco, quando Guilherme Boulos cobrou o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) sobre os problemas estruturais na educação de São Paulo, Estado que o tucano governou até abril deste ano, e a respeito do “escândalo da merenda”. Na resposta, Alckmin defendeu a sua gestão na educação, sobretudo na ampliação das redes de escolas técnicas e tecnológicas. Na réplica, Boulos voltou a carga, referindo-se ao tucano como o “Sérgio Cabral que não está preso” e cobrando a falta de respostas sobre a questão dos desvios de recursos da merenda escolar. Na tréplica, o ex-governador elevou o tom, dizendo que não “invadia prédios”, em alusão à atuação do psolista no movimento sem-teto, e que seu governo havia descoberto e punido os responsáveis pelos desvios na merenda.

 

Na sequência, Ciro Gomes (PDT) optou por um debate mais programático com Fernando Haddad (PDT) a respeito de propostas para o desenvolvimento regional, com ambos defendendo a retomada de obras paradas e o investimento em logística. O pedetista, no entanto, elevou o tom contra o PT ao ser questionado, no bloco de perguntas feitas por jornalistas, se convidaria o partido para participar de seu governo. “Eu francamente, se puder governar sem o PT, eu prefiro”, disse, responsabilizando ainda o partido pelo crescimento de Bolsonaro nas pesquisas. Haddad teve a oportunidade de rebater Ciro logo em seguida, dizendo que o ex-governador do Ceará o convidou, ainda neste ano, para ser seu vice em uma chapa que seria o “dream team” da centro-esquerda.

 

Haddad também travou disputas com Marina Silva e Alvaro Dias. Quando perguntou à primeira se ela manteria a emenda constitucional que impôs o teto de gastos e a terceirização irrestrita, Marina atacou o petista dizendo que a responsabilidade sobre o desemprego no País era da falta de credibilidade gerada pela “corrupção dos governos PT, MDB e PSDB”, além de criticar o teto de gasto. Haddad lembrou que Marina apoiou o impeachment de Dilma, que levou Michel Temer (MDB) à presidência e cobrou a falta de resposta sobre a terceirização. Na tréplica, Marina disse que era contra a medida e voltou a criticar o partido do adversário. “É muito engraçado você falar de Temer quando foi pedir a benção do Renan Calheiros. O PT faz o discurso dos trabalhadores e se junta com o Temer”, disse.

 

No terceiro bloco, Dias questionou Haddad sobre a proposta de isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e sobre o porquê de os governos petistas anteriores não terem implementado a medida. Haddad respondeu que os governos petistas se preocuparam, inicialmente, com a inclusão dos pobres no orçamento por meio de programas sociais, mas que agora era hora de encarar a questão tributária, que teria resistência no Congresso. O senador paranaense então acusou o PT de ser o campeão da “olimpíada da mentira”, o que Haddad respondeu dizendo que ele não tinha respeito com a população beneficiada pelos programas sociais que citara anteriormente e que o governo FHC, que Dias apoiara, tinha sido o responsável por aumentar a carga tributária de 26% para 32%.

 

Anteriormente, Dias também tinha aproveita uma pergunta a Henrique Meirelles (MDB) para atacar os governos petistas dos quais o ex-ministro fez parte. Meirelles também teve um embate com Geraldo Alckmin, quando cobrou o tucano pela demora de mais de 20 anos para a conclusão da linha 5 do metrô paulista, ao qual o tucano respondeu cobrando Meirelles pelo baixo crescimento da economia no governo Temer.

 

Já um momento mais “cômico” do debate ocorreu quando Daciolo perguntou a Ciro sobre saúde, no primeiro bloco. Após o ex-governador defender um projeto nacional de desenvolvimento e prometer a revogação do teto de gastos para investir em saúde, Daciolo lançou mão da frase “a democracia é uma delícia”, que Ciro havia usado em uma resposta para ele em debate anterior, e cobrou o pedetista por não ter utilizado a rede pública para a intervenção hospitalar pela qual passou na terça-feira (25). Na tréplica, Ciro defendeu as conquistas do Ceará na saúde e disse que não se internou pelo SUS porque não era demagogo, pois estava entre os 20% dos brasileiros com condições de pagar plano de saúde.

 

Debate está na íntegra:

 

 

Fonte: Luís Eduardo Gomes – Sul 21

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