Editorial: Quebrando estereótipos

Muito se fala em todos sermos iguais perante as Leis, como assegura o Art. 5º da Constituição. Contudo, se analisarmos historicamente as diferenças entre categorias, a igualdade parece não ser efetiva. Seja entre burgueses e proletários, brancos e negros, heterossexuais e LGBTs, sempre houve e ainda há distinção entre eles: um como opressor, outro como oprimido. E não é diferente quando pensamos na relação homem-mulher.

 
Antes da civilização, mulheres e homens não tinham papéis sociais definidos. Eles eram distinguidos pelas tarefas que exerciam: de acordo com as habilidades que lhes pareciam mais cabíveis, os homens costumavam caçar e exercer tarefas que necessitavam mais força bruta, enquanto as mulheres se atentavam a outros serviços. Com o passar do tempo e, principalmente, com o início da propriedade privada, as desigualdades – de todas as formas – se intensificaram.

 
Homens e mulheres passaram a ter papéis estabelecidos. Quanto mais o sistema capitalista foi se inserindo na sociedade, maiores foram as definições que diferenciam os gêneros. Cada vez mais, homens eram vistos como os responsáveis por suas famílias, indo trabalhar e garantindo o sustento, enquanto mulheres eram tidas como donas de casa, cuidadoras do lar. Esse era o discurso tido como correto socialmente, mesmo que entre pessoas de classes mais baixas e/ou que não fossem brancas a realidade fosse diferente. Mulheres proletárias e/ou negras sempre precisaram trabalhar – jamais esquecendo do período escravocrata – para sustentar suas famílias.

 
Com o passar do tempo e o avanço de grupos minoritários para garantir os mesmos direitos entre as pessoas, surgiram mudanças. Os movimentos feministas tiveram como marco inicial (na década de 30 no Brasil) a conquista do direito ao voto, antes só destinado aos homens. A partir de então, muitas lutas foram – e ainda são – pela emancipação feminina para garantir a equidade com relação aos homens. Entretanto, a realidade é que, mesmo depois de tanto tempo, mulheres continuam recebendo em média 36% a menos que homens em cargos iguais ou semelhantes, ainda são muito associadas como cuidadoras do lar e lutam para quebrar os estereótipos de gênero.

 

O mês de março, em especial o dia 8, não é um momento comemorativo. Não, quando mulheres são as primeiras a serem demitidas e as últimas a serem contratadas no mercado de trabalho. Não, quando é preciso criar uma lei de feminicídio para validar que mulheres morrem pelo simples fato de serem mulheres. Não, quando é preciso comprovar diariamente que mulheres têm capacidade, e ainda assim, recebem menos e precisam ir muito além para serem vistas como medianas. Não, quando a sociedade decai sobre os corpos, impondo padrões e comportamentos. Por isso, e por muito mais, a última coisa que precisamos dar é parabéns ou flores. Que o 8 de março seja símbolo de uma luta muito importante e válida. Para que possamos avançar, nenhuma mulher deve regredir.

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