Combativa e autônoma, CUT nasceu pela base

Em 1983, na data de hoje, trabalhadores de todo o país desafiaram a ditadura e criaram a primeira central sindical

 

 

Jair Meneghelli, presidente da CUT, fala a trabalhadores em São Bernardo

Jair Meneghelli, presidente da CUT, fala a trabalhadores em São Bernardo

 

 

O Congresso Nacional da Classe Trabalhadora aprovou, no dia 28 de agosto de 1983, a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a primeira central sindical criada após o golpe de 1964 e a primeira no país a ser lançada pela base. Reunidos por três dias em São Bernardo do Campo (SP), na antiga sede da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, 5.059 delegados de 912 entidades sindicais elegem a primeira direção provisória da entidade, com mandato de um ano, tendo como presidente Jair Meneghelli, metalúrgico de São Bernardo.

 

 

A fundação da CUT ocorreu dois anos depois de ter sido aprovada na 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). Ao longo desse período, houve intensa disputa entre as correntes sindicais ligadas ao PT e os dirigentes ligados ao PCB, PCdoB  e Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), que eram contrários à criação de uma central independente da estrutura oficial de sindicatos e confederações. Esses grupos integraram a CUT por um curto período. Em 1986, fundariam a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT).

 

 

O impasse na criação da entidade foi rompido no momento em que o governo do general presidente João Baptista Figueiredo tentava implantar um arrocho salarial tão duro quanto o que foi imposto pelo primeiro general da ditadura, Castelo Branco. Sindicatos das duas correntes participaram da greve geral de protesto, em 21 de julho.

 

 

A primeira reivindicação da CUT foi a retirada do Decreto-Lei 2.045, em tramitação no Congresso Nacional, que limitava os reajustes salariais a 80% do índice de inflação do período. O congresso de fundação aprovou também a luta pelo cancelamento dos acordos com o FMI, contra as intervenções nos sindicatos (como os de petroleiros e bancários de São Paulo) e pela reforma agrária.

 

 

A criação da CUT foi um desafio à legislação sindical, que proibia a organização dos trabalhadores de diferentes categorias numa só entidade. Mesmo não sendo “única”, a CUT foi desde o princípio a maior central sindical brasileira e tornou-se a maior da América Latina. A primeira direção executiva era formada por:

 

 

Jair Meneghelli – Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema (SP) 

Paulo Paim – Metalúrgicos Canoas (RS) 

João Paulo Pires de Vasconcelos – Metalúrgicos  de João Monlevade (MG) 

Jacó Bittar – Petroleiros de Campinas(SP)

Abdias dos Santos – Metalúrgicos de Niterói (RJ)

José Novaes – Rurais de Vitória da Conquista (BA)

Avelino Ganzer – Rurais de Santarém (PA)

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