“Bye bye Brasil” – Por Lírio Segalla

Na Amazônia, existe uma cidade erguida em 1928, a mando de Henry Ford. Após um período de expansão, o polo de produção de látex naufragou. Em 1945, o governo indenizou a empresa e Fordlândia, outrora próspera, caiu em desgraça. Essa história é um presságio do que pode acontecer com a nossa indústria.

 

 

No início do mês, a Ford se despediu do Brasil e jogou 7 mil fordianos no desemprego. O Dieese calcula que serão mais de 119 mil postos de trabalho perdidos, caso se contabilize todo o impacto.

 

 

Mês passado, a MercedesBenz lacrou sua unidade de automóveis leves. O fechamento de empresas se alastra para outros segmentos. A Sony já deu bye bye a Manaus. A Yoki, em Nova Prata, fechará em maio. O Brasil está virando um cemitério de empresas. Nos anos 80, a participação da indústria no PIB era acima de 20%. Despencamos para a metade: 10,9%.

 

 

O modelo de desenvolvimento industrial dependente, baseado em grandes transnacionais, regado a constantes subsídios e mercado protegido, apesar de atrativo de imediato, causa um grande estrago quando ocorre o ciclo recessivo.

 

 

O desgoverno federal explica que está tudo ok. Seu ministro da Economia afirma que a desindustrialização será resolvida pelo livre mercado e compensada pelo desempenho do agronegócio, desde que se façam mais reformas. Regredir aos primórdios da economia agrária exportadora é a solução, urram os Chicago Boys. Sabemos que é impossível sustentar um país com mais de 200 milhões de habitantes apenas com exportações primárias. Fazendão não tem futuro.

 

 

Cabe aos trabalhadores, aos poucos empresários patriotas e aos governantes democráticos reerguer um projeto nacional de industrialização. Para isso, é fundamental investir em consórcios locais de desenvolvimento, na educação e na pesquisa. Apostar no envolvimento de universidades e de centros tecnológicos. Os empresários precisam cessar de demonizar o Estado enquanto usufruem de incentivos fiscais. Os trabalhadores devem ser sujeitos e a participação política é o único caminho.

 

 

** Lírio Segala é presidente da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS e coordenador do Macrossetor da Indústria da CUT-RS 

 

 

Artigo publicado no Jornal Zero Hora, em 25/01/2021

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