AGCO: Desrespeito com a comissão do PROPAR e os trabalhadores

“Segunda-feira, mais um dia produzindo riqueza para o patrão, mais um dia distante da nossa família, e se não nos empenharmos juntos, não chegaremos a lugar nenhum e perderemos nossos direitos”. A fala é de Sílvio Bica, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, em assembleia realizada pela entidade na última segunda-feira (14) em frente à AGCO do Brasil. O ato foi feito juntamente com integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (a CIPA) e esclareceu fatos recentes para os trabalhadores e trabalhadoras.

 

Vice-presidente do Sindicato em assembleia

Vice-presidente da entidade, Sílvio Bica, no caminhão de som

 

A empresa, que já tem sido local de inúmeras irregularidades com a redução de postos de trabalho e o aumento considerável no número de acidentes, registradas na última edição do jornal A Vez e a Voz (usar hiperlink com matéria anterior), agora apresenta também outro desrespeito para com seus funcionários(as). Após seis reuniões com a direção da AGCO e do Sindicato, a comissão eleita pelos trabalhadores e trabalhadoras para representá-los no acordo do PROPAR (Programa de Participação nos Resultados) sofre com a demora do processo de negociação.

 

Para os membros da comissão, os diretores da fábrica de máquinas agrícolas simplesmente fugiram da mesa de negociação para mais uma vez correr ao Tribunal Regional do Trabalho. “Eles não tiveram a mínima capacidade e competência de negociar com os trabalhadores, nem comunicaram a comissão de que iriam pedir auxílio para um juiz terceirizar o trabalho deles”, declarou Bica durante a assembleia. Além de propor mais uma vez um alto gatilho de produtividade e indicadores que dificultam ainda mais o atingimento das metas, a linha de montagem não recebe o mínimo treinamento dos funcionários, causando mais retrabalhos e horas extras.

 

André Battistello, vice-presidente da CIPA, participou da assembleia trazendo a visão de quem está dentro da fábrica. No primeiro trimestre desse ano, já aconteceram doze casos de acidente de trabalho com quatro afastamentos. Entre as fatalidades citadas, estavam o desabamento do telhado, a desconsideração com trabalhadores feridos dentro da linha de montagem e a pouca atenção que a direção da empresa tem com esses problemas. “A fábrica existe há mais de cinquenta anos, a estrutura e o telhado estão perigosos e os caras mesmo assim querem nos enganar”, declarou Battistello. Ele também relatou casos de pessoas sendo obrigadas a permanecerem nos arredores da fábrica mesmo estando feridas e afirmou aos presentes que em qualquer situação parecida com trabalhadores, estes devem contar com o apoio da comissão e do sindicato.

 

André Battistello, vice-presidente da CIPA

 

Quanto ao PROPAR, Battistello relembrou que não é a primeira vez que os diretores da AGCO desrespeitam as tentativas da comissão no acerto da participação dos lucros. “Pelo segundo ano consecutivo, eles provaram que são incompetentes na hora de negociar. É vergonhoso levar para Porto Alegre uma decisão importante como essa, julgada por um desembargador desconhecido, que também desconhece a produção da AGCO”, disse.

 

Márcio Otto, conhecido como Bigode e também integrante da CIPA, declarou que a pauta foi entregue para a empresa no dia 13 de abril, completando um mês no último domingo, e que até agora não houve nenhum retorno. Trata-se de uma escolha da AGCO de não querer enxergar ou fingir que não enxerga a realidade dentro da fábrica e por isso só procura metas cada vez mais altas. “Em maio desse ano, o objetivo da produção é atingir 7,15% a mais do que em 2017. O estoque está quase vazio, o que é produzido está sendo vendido. Temos sim que receber um PROPAR digno”, concluiu.

 

Márcio Otto, conhecido como Bigode e também integrante da CIPA

Márcio Otto, conhecido como Bigode e também integrante da CIPA

 

MEDIAÇÃO NA JUSTIÇA DO TRABALHO

 

Na tarde da última segunda-feira (14), o Sindicato dos Trabalhadores esteve presente em uma reunião de mediação no prédio do Tribunal Regional do Trabalho, em Porto Alegre. A entidade sindical e a comissão eleita pelos trabalhadores cobraram números relacionados à produção e à produtividade do primeiro trimestre de 2018. O Juiz, portanto, intimou os representantes da AGCO para que esses dados fossem apresentados no dia 28 de maio, data em que está marcada a próxima reunião de mediação entre as partes envolvidas.

 

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