História – Sindicato

O Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas foi concebido entre o fim dos anos 50 e o início dos anos 60, época de importante abertura política pós-Ditadura Vargas e época de grandes mobilizações sociais.

 

A entidade foi fundada em 1° de setembro de 1960 porque os trabalhadores da cidade entendiam que Canoas já era um importante pólo industrial metal-mecânico e os sindicatos mais antigos da região (Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre e o Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo) não conseguiam representar a contento a categoria local, muito provavelmente em razão da distância (na época os deslocamentos eram mais difíceis), da falta de inserção da luta sindical nas fábricas, entre outros motivos.

 

No começo tudo foi muito difícil: a repressão aos sindicalizados era muito grande e a entidade só existia no papel. Um grupo de metalúrgicos, que faziam reuniões em salões de igrejas e outros locais emprestados, decidiu fazer uma campanha de arrecadação de fundos para a compra de um terreno, onde mais tarde seria construída a sede da entidade. Em pouco tempo, conseguiram juntar o dinheiro que permitiu comprar o lote de terrenos na esquina das ruas Caramuru e Caetés, no centro da cidade. Ali, em regime de mutirão, construíram a casa que seria a primeira sede da entidade. Esse espírito de solidariedade continua sendo uma espécie de marca registrada até os dias de hoje.

 

Com a sede, a sindicalização tornou-se mais fácil e o sindicato conseguiu estruturar-se muito bem na primeira metade dos anos 60. A entidade passou existir de fato somente a partir do dia 1° de maio de 1963, quando conquistou o registro (Carta Sindical) expedido pelo Ministério do Trabalho.

 

Infelizmente, pouco se sabe da história do sindicato entre 1964 e o final dos anos 70. Foram os piores anos da história do movimento sindical brasileiro, devido à ação represssiva da ditadura militar aos movimentos sociais. Pra piorar, Canoas era considerada “área de segurança nacional” por causa da Petrobras e dos quartéis da Aeronáutica e do Exército na cidade, motivo pelo qual os movimentos sociais ficavam impedidos de prosperar e a vigilância contra os metalúrgicos era redobrada.

 

Neste período, no Brasil, muitos sindicatos foram fechados e milhares de dirigentes sindicais foram presos, interrogados e torturados, sendo que muitos deles exilaram-se em outros países ou foram mortos pelo regime militar. Não há registro de que o Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas tenha sofrido intervenção ou fechamento, mas é possível que, como os demais sindicatos, era constantemente vigiado. Neste caso, qualquer manifestação política seria sumariamente reprimida.

 

No final dos anos 70, a ditadura militar começou a fragilizar-se e alguns focos de resistência começaram a manifestar a intenção de criar um novo sindicalismo para substituir o modelo inoperante e atrelado de então. Esse movimento iniciou-se a partir de São Paulo, onde o então metalúrgico Lula passou a organizar a categoria e resistir às ações da ditadura.

 

Aqui em Canoas, esse movimento iniciou no início dos anos 80 a partir das maiores metalúrgicas da época (Coemsa, Massey, Forjasul, Madef e Micheletto). Em pouco tempo, metalúrgicos históricos como Paulo Paim (hoje, senador) e Sérgio Matte (ex-presidente da Federação dos Metalúrgicos e, hoje, aposentado), entre outros, junto com antigos militantes da esquerda na região (o professor e atual assessor parlamentar, Adair Barcelos, os advogados Carlos Araújo e Lídia Woida, o padre Armindo Cattelan, entre outros) articularam um movimento de oposição aos dirigentes sindicais que, na época, insistiam em manter a estrutura eminentemente assistencialista e de pouca combatividade no sindicato. O exemplo foi posteriormente adotado em outras bases metalúrgicas e por outros fortes sindicatos da região.

 

Pouco depois de eleitos, esses companheiros ajudaram a fundar a CUT, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos e a Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS, que passaram a agregar as entidades filiadas ditas cutistas. Nessa época também foi fundado o Partido dos Trabalhadores, que agregou lideranças sindicais que entendiam que a mudança social poderia ser conquistada a partir da democracia e da militância partidária.

 

Os anos 80 foram muito ricos devido à liberdade conquistada a partir do fim da ditadura, das eleições diretas, da volta do pluripartidarismo, da anistia e outros fatos históricos chamados de “Nova República”. Nessa época foram realizadas históricas assembléias, greves e atos públicos.

 

Já os anos 90 foram marcados por um refluxo da luta e do próprio movimento sindical a partir da eleição de projetos políticos conservadores (Collor, Itamar, Sarney e FHC), que impuseram à classe trabalhadora o chamado neoliberalismo, configurado por um sistemático ataque aos direitos e às conquistas históricas dos trabalhadores. O fantasma do desemprego, a inflação galopante e outros fenômenos da conjuntura, fizeram com que a classe trabalhadora ficasse menos organizada. Ficou muito mais difícil organizar lutas, assembléias e greves coletivas. O sindicato teve que organizar a categoria a partir dos locais de trabalho e mobilizar a categoria por fábricas. O desemprego e a alta rotatividade de pessoal nas empresas fizeram com que o número de sindicalizados caísse e as receitas das entidades sindicais diminuíssem. Nessa época, os patrões financiaram o surgimento de outras centrais, como a Força Sindical. Essa central – tida como pelega devido ao suposto atrelamento com a classe patronal e com os governos neoliberais – teria sido criada para competir com a CUT, enfim, diminuir o poder de ação dos sindicatos filiados a ela.

 

Os sindicatos, federações e confederações cutistas, e a própria CUT, tiveram que adequar-se à nova realidade. Nestes difíceis anos, o Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas (que passou a integrar a cidade de Nova Santa Rita no nome em razão da emancipação do antigo Distrito de Santa Rita) manteve inalterado o prestígio conquistado ao longo dos anos, mantendo a base unida e coesa.

 

Por fim, a eleição de Lula, em 2002, trouxe ao movimento sindical combativo novo ânimo e a esperança de novos rumos para o movimento sindical cutista e para o nosso sindicato. O novo governo adotou propostas importantes, entre elas a Reforma Sindical, que poderá modernizar e democratizar as relações Capital X Trabalho, acabando com o atual modelo que remonta à Era Vargas, de um sindicalismo com liberdades limitadas, que pode ser atrelado a governos e viver da contribuição compulsória dos trabalhadores sem ter qualquer intenção de luta por uma determinada categoria.

 

O sindicato está ás vésperas de completar 50 anos de fundação com a certeza de que há ainda muita coisa a ser conquistada, muitas lutas a serem travadas, muito chão a percorrer e muita história boa pra contar. Parabéns aos companheiros que construíram essa história e a todos os metalúrgicos da base, pois sindicato não é prédio, não é direção com mandato; é, isto sim, a própria categoria organizada e lutando por dignidade dentro dos locais de trabalho e lutando por uma sociedade mais justa, humana e fraterna.

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